MANAUS — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na tarde deste sábado (3) que os EUA irão governar a Venezuela de forma temporária após a captura de Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada em Mar-a-Lago, na Flórida, horas depois dos ataques militares norte-americanos em território venezuelano.
“Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata. Não queremos que outra pessoa assuma o poder e que a situação se repita por muitos anos. Portanto, vamos governar o país”, disse Trump, sem detalhar quem ficará responsável pela administração da Venezuela durante esse período.
As declarações ocorrem após a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, que incluiu bombardeios em Caracas e em estados como Aragua, Miranda e La Guaira. Segundo o governo norte-americano, Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país.
O governo venezuelano confirmou a captura, enquanto a vice-presidente Delcy Rodríguez passou a exigir provas de vida de Maduro. Diante da ofensiva, o regime declarou estado de emergência e classificou a ação como uma violação da soberania nacional.
No Brasil, a crise levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a coordenar reuniões de emergência no Itamaraty. O governo brasileiro condenou o uso da força, cobrou uma resposta da Organização das Nações Unidas (ONU) e informou que não há, até o momento, registro de brasileiros feridos. O Ministério da Defesa afirmou ainda que a fronteira com a Venezuela permanece aberta, tranquila e sob monitoramento.
A fala de Trump, ao indicar a intenção de administrar diretamente a Venezuela durante um período de transição, amplia a tensão diplomática e gera reações na comunidade internacional, que acompanha os desdobramentos do que já é considerado um dos episódios mais graves de intervenção direta dos EUA na América Latina nas últimas décadas.
Petróleo
O presidente dos EUA, que justificou a invasão com acusações de narcotráfico por parte do governo Maduro, embora sem provas, também deixou claro que o setor petrolífero venezuelano, que possui as maiores reservas conhecidas do planeta, passará a ser controlado por empresas norte-americanas. E ameaçou com uma segunda onda de ataques caso haja resistência do país.
“Como todos sabem, o setor de petróleo na Venezuela foi um fracasso, um fracasso total por um longo período. Eles estavam produzindo quase nada em comparação com o que poderiam estar produzindo e com o que poderia ter acontecido. Vamos levar nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos — as maiores do mundo — para investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura gravemente danificada, a infraestrutura de petróleo, e começar a gerar dinheiro para o país”, disse.
“E estamos prontos para lançar um segundo ataque, muito maior, se for necessário. Estávamos preparados para realizar uma segunda onda, se fosse preciso. Na verdade, presumíamos que uma segunda onda seria necessária, mas agora provavelmente não será.”



