BRASÍLIA – Em discurso com tom eleitoral, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira (20) que este ano precisa ser o da “comparação” entre o atual governo e os mandatos dos ex-presidentes Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
“Nós precisamos transformar o ano de 2026 no ano da comparação. Vamos pegar o ano em que foi feito o impeachment da Dilma [Dilma Rousseff, ex-presidente da República], em 2016, vamos pegar o governo Temer e o governo Bolsonaro, e vamos fazer uma comparação do que nós fizemos em três anos com o que eles fizeram em sete ano”, disse o presidente.
O presidente se manifestou na solenidade de entrega de 1.276 unidades habitacionais do Empreendimento Junção, em Rio Grande (RS), no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades. As moradias foram inauguradas pelo governo a partir do direcionamento de imóveis da União sem uso ou ociosos para habitação social.
Lula declarou ainda que o governo Bolsonaro “quase destruiu o país” e que os dois primeiros anos de governo dele foram para “tentar reformar e recuperar esse país”.
Ele ainda disse que a comparação entre os governos é preciso ser feita para “acabar com a era da mentira”. O presidente citou ainda desinformações impulsionadas nas redes nos últimos dias, onde falas dele em um evento realizado na última sexta (16) foram retiradas de contexto. Uma delas sugeriria que o petista defendeu que os pobres foram feitos para trabalhar, e não estudar, e que ele teria errado o pronome da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
“A verdade, você tem que explicar. A mentira, você só tem que falar. Nesses dias, eu fiz um encontro na Casa da Moeda, e fiz um discurso, e eles agora estão olhando o que eu estou falando. Eles querem pegar uma ou duas palavras aqui para que eles possam distorcer e mandar para o mundo na internet”, declarou o presidente.
Ricos e pobres
O presidente afirmou que os ricos precisam ser “tratados com respeito”, mas que as políticas públicas do governo federal precisam visar os mais pobres e a classe média.
“Os ricos precisam ser tratados com respeito, mas as políticas públicas devem ser voltadas para o povo trabalhador deste país, para a classe média e para as pessoas abandonadas”, disse Lula.
O presidente afirmou ainda que é preciso olhar aqueles que não têm a capacidade de ir até Brasília fazer pressão por melhorias. Segundo Lula, “nada é impossível de fazer” desde que haja decisão dos políticos.
“Quando tem decisão política, nada é impossível de fazer neste País, basta que quem governa a cidade, o Estado ou a Nação, tenha o compromisso de olhar para aquelas pessoas que não podem visitar um gabinete, para aquelas pessoas que não podem ir na prefeitura, que não podem ir no governo do Estado e muito menos em Brasília fazer pressão”, disse ele.
Lula também anunciou que ainda nesta terça, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, vai anunciar investimentos de R$ 24 bilhões no porto de Rio Grande. O presidente disse ainda que será iniciada a retomada de construção de navios pela Petrobras e a concessão de um terreno para o terminal de uma empresa exportadora.
Donald Trump
Lula também questionou a forma do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, governar, com amplo uso das redes sociais. Em seu primeiro mandato, Trump usava o então Twitter (hoje X, depois de ser comprado pelo empresário Elon Musk) para anúncios e comentários. Depois de ser banido da rede, passou a usar a Truth Social, rede social dele próprio.
Lula criticou o uso intenso de celulares, algo que ele faz de forma recorrente em seus discursos e no dia-a-dia no Palácio do Planalto. “Todo deputado é viciado nisso (celular). Estava esperando se ia ter alguém com o celular, porque eu ia comer o fígado aqui. Na minha sala é proibido entrar com celular, no gabinete é proibido Às vezes você está falando e fica olhando e as pessoas estão (olhando para o celular), não estão na reunião”, declarou o presidente brasileiro.
Lula, então, comentou sobre os hábitos de Trump, com quem ele estabeleceu uma relação mais próxima nos últimos meses. “Vocês já perceberam uma coisa, que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou. Vocês acham que é possível? É possível tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês, se eu achar que vocês são objetos, e não um ser humano”, afirmou o petista.



