A antecipação da saída de Cármen Lúcia da presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abre caminho para que, pela primeira vez, indicados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) assumam o comando da Corte durante uma eleição geral.
O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), deve assumir a presidência do tribunal já em maio, após a eleição interna marcada para a próxima semana. Ele ficará responsável por conduzir o processo eleitoral de 2026, cujo primeiro turno está previsto para 4 de outubro. A eleição interna que formalizará a nova direção está marcada para a próxima terça-feira (14).
A mudança ocorre após Cármen Lúcia anunciar que deixará o cargo antes do fim de seu mandato, originalmente previsto para junho. Segundo a ministra, a antecipação busca garantir maior “tranquilidade administrativa” na organização das eleições, evitando transições próximas ao pleito.
Na prática, a escolha da nova cúpula é protocolar: além de Nunes Marques na presidência, o ministro André Mendonça, também indicado por Bolsonaro ao STF, deve assumir a vice-presidência da Corte.
Indicado ao Supremo em 2020, Nunes Marques terá papel central na coordenação das etapas do pleito, desde o registro de candidaturas até a divulgação dos resultados.
Como presidente do tribunal, caberá ao ministro supervisionar a logística nacional das urnas eletrônicas, presidir julgamentos relacionados ao processo eleitoral e conduzir ações de combate à desinformação.
O TSE é composto por sete ministros, com mandatos temporários, sendo três oriundos do STF, dois do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e dois juristas. A presidência é exercida por um dos ministros do Supremo que integram a Corte.



