O professor titular da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Davi Said Aidar, de 62 anos, foi executado a tiros na noite de sexta-feira (6), no ramal Água Branca 1, localizado no quilômetro 35 da rodovia AM-010, principal via de ligação entre Manaus e municípios do interior do Amazonas. De acordo com as primeiras informações policiais, o crime ocorreu por volta das 23h, dentro do estabelecimento comercial de propriedade da vítima — um bar localizado na área rural do ramal. Dois homens não identificados chegaram ao local em uma motocicleta, surpreenderam o professor e dispararam contra ele, fugindo em seguida pela rodovia. Não houve indícios iniciais de roubo, e a motivação do ataque ainda é desconhecida. A região do ramal Água Branca é de tráfego intenso, utilizada diariamente por moradores de comunidades próximas à AM-010 para acesso à capital e a outras localidades. O local é conhecido por abrigar pequenos comércios e residências, mas episódios de violência têm sido registrados em ramais da zona rural de Manaus. Carreira acadêmica e contribuições científicas Davi Said Aidar era professor titular no setor de Produção Animal e Pastagens da Ufam, com formação em Zootecnia e trajetória acadêmica marcada por pesquisas em entomologia, meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) e apicultura. Pós-doutor em Genética Molecular, ele se destacou por estudos sobre a genética e a preservação de abelhas nativas da Amazônia, incluindo a multiplicação de colônias de espécies como a mandaçaia. Seu trabalho acadêmico incluía orientações de alunos de graduação e pós-graduação, publicações científicas e participação em projetos de extensão rural, com foco na sustentabilidade e no desenvolvimento de comunidades amazônicas por meio da criação racional de abelhas. Ele também era reconhecido por aparições em veículos de comunicação, como o programa Globo Rural, onde apresentou técnicas de manejo de abelhas.
Além da atuação na universidade, Davi mantinha o comércio no ramal, conciliando a vida acadêmica com atividades empresariais na zona rural. A morte do professor gerou comoção imediata na comunidade acadêmica da Ufam e entre pesquisadores da área de ciências agrárias e ambientais. Colegas e ex-alunos destacaram sua dedicação ao ensino, à pesquisa e à preservação da biodiversidade amazônica. A universidade deve divulgar nota oficial de pesar nos próximos dias. Até o momento, não há informações sobre velório e sepultamento. Investigação em andamento O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que investiga a execução. Perícia no local e análise de câmeras de segurança da região podem ajudar a identificar os autores. A polícia não descarta nenhuma linha de investigação, incluindo possíveis conflitos pessoais ou disputas locais.



