O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (24/3) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) devido ao agravamento de problemas de saúde. O prazo inicial é de 90 dias. O ex-presidente está internado desde 13 de março em um hospital de Brasília, quando foi diagnosticado com broncopneumonia aspirativa e problemas renais.
Bolsonaro está preso desde 22 de novembro de 2025, após ser condenado por tentativa de golpe de estado. Desde que foi internado, porém, ministros do Supremo começaram a levar a possibilidade, em conversas entre si e com Moraes, relator do processo da trama golpista, de prisão domiciliar. Nos bastidores, uma das preocupações era o risco de morte do ex-presidente na prisão, o que poderia ser ruim para a imagem do STF.
Atores externos também contribuíram. Uma delas foi a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que conversou pessoalmente com o presidente do STF, Edson Fachin. Outro articulador pela domiciliar foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que chegou a abordar o assunto em agendas com cinco ministros — Moraes, Fachin, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Cristiano Zanin.
Por fim, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou um dia antes, nesta segunda-feira (23/3), a favor da domiciliar. Para ele, a “evolução clínica” do ex-presidente recomenda a flexibilização do regime. No dia 5 de março, a 1ª Turma do STF, responsável por julgar o processo da trama golpista, havia negado outro pedido. Mas, na visão de Gonet, a situação mudou desde então.



