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Como poderia estar o Brasil com uma taxa de juros decente

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Os números divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o Brasil avança, apesar da torcida contra da extrema direita e do peso que se tornou o Banco Central à economia do País. A taxa de desocupação (ou desemprego) no Brasil ficou em 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, nível mais baixo da série histórica iniciada em 2012.

 

Em igual período de 2024, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) estava em 6,2%. No trimestre móvel até novembro, a taxa de desocupação estava em 5,2%.

 

Com o resultado de dezembro, a taxa anual do indicador de desemprego caiu de 6,6%, em 2024, para 5,6%, em 2025, patamar mais baixo desde 2012.

 

A renda média real do trabalhador foi de R$ 3.613,00 no trimestre encerrado em dezembro, de acordo com o IBGE. O resultado representa alta de 5,0% em relação ao mesmo trimestre de 2024.

 

Emprego só é gerado pelas empresas, que contratam à medida que aumenta a demanda pelo produto fabricado ou vendido e pelos serviços, mas também quando dispõem de recursos financeiros para crescer. Mas a pesquisa do IBGE dá sinal de que a economia melhora a cada ano.

 

Mas é preciso lembrar que o Banco Central mantém a taxa de juros no Brasil a 15% desde junho passado, e próximo desse patamar desde o início do governo Lula.

 

O juro real – taxa de juros menos a inflação – do Brasil (9,23%) é o segundo maior do mundo, perdendo apenas para a Rússia (9,88%), que está em guerra e sofre bloqueio econômico da maioria dos países do ocidente.

 

A título de comparação, a taxa de juro real dos Estados Unidos é 1,51%; da China, 1,39%; da França, 0,94%, de Portugal, 0,41%; da Alemanha, 0,37%, do Japão, -1,18%. O Brasil, abaixo da Rússia, está próximo da Argentina (7,63%), da Turquia (6,45%) e do México (5,39%).

 

A taxa de juros alta é um assalto aos cofres públicos, porque eleva de forma descomunal o volume da dívida pública. A dívida brasileira cresce, apesar da sangria de dinheiro que consome.

 

O Brasil pagou em 2025 R$ 2,1 trilhões (42,24% do orçamento da União executado) de juros e amortização da dívida, segundo cálculos da ONG Auditoria Cidadã da Dívida.

 

Mas o Ministério da Fazenda informou que o estoque da Dívida Pública Federal encerrou 2025 em R$ 8,635trilhões. O valor representa aumento, em termos nominais, de 18% sobre o estoque do final de 2024 (7,316 trilhões).

 

Isso acontece porque, com os juros altos, o Brasil não consegue abater a dívida, apesar de despejar uma carreta de dinheiro nos cofres dos rentistas que dominam o mercado financeiro.

 

Os juros altos também impedem o empresariado decente, que investe na produção, de emprestar dinheiro para abrir novos negócios. Tanto é assim que a CNI (Confederação Nacional da Indústria) tem sido uma voz solitária mas persistente pela queda da taxas de juros no Brasil.

 

Imaginemos o País com uma taxa de juros decente. Com os bancos abrindo crédito para empresas que querem ampliar seus negócios. O Brasil, certamente, estaria na fase de pleno emprego.

 

E emprego significa mais dinheiro na economia, aumento da renda do trabalhador, menos violência nas ruas, mais qualidade de vida, portanto, menos demanda na rede pública de saúde, mais dinheiro público para investimento, que gera novos empregos.

 

Mas há quem bata no peito para defender a autonomia do Banco Central. Atualmente, o BC é independente do governo constituído democraticamente, mas dependente até a alma do mercado financeiro, do rentismo, daqueles que assaltam legalmente os cofres públicos.

 

O Brasil precisa de um Banco Central realmente independente, que não seja dominado por paus-mandados do mercado financeiro, mas que pense no Brasil e atue para alavancara o crescimento econômico do País.

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